A pessoa nasce ou torna-se bandida?

 
Mário Mércio

27 de Março de 2017 –  mario.mercio@gmail.com
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Pergunta importante: você acha que as pessoas já nascem bandidas? O bebê — sim, aquele de colo — já é um bandidinho?

Prefiro pensar que ninguém acredita que as pessoas já nascem criminosas.

É um pouco lunática essa visão.

Partindo da pressuposição de que ninguém nasce bandido, utilizemos um personagem fictício como exemplo: João, o bebê. Imaginemos o bebê da maneira como quisermos, isso pouco importa, a única certeza que temos sobre João, o bebê, é que ele não nasceu bandido.

É uma criança como qualquer outra, ainda dependente dos pais, que pouco faz da vida além de dormir e chorar. Mas neste mundo fictício, o tempo passou, e João cresceu.

Aos 16 anos cometeu um latrocínio. Se João não nasceu bandido, então TORNOU-SE bandido. A palavra “tornou-se” implica transformação e esse é o X da questão.

Os seres humanos se constroem com as experiências e aprendizados, portanto o meio em que vive tem grande influência sobre ele.

Sabendo disso, temos a visão clara de que algo acontece na sociedade que transforma as pessoas em marginais.

Se acha que não, talvez seja curioso saber que a taxa de homicídios no Brasil em 2008 era de 26,4 a cada 100.000 habitantes, enquanto que na Islândia o índice não passou de 1,8 a cada 100.000 no mesmo ano. Então ai já ficamos sabendo que o ambiente transforma mesmo.

Roman Kayo, humanista responde: –O fato é: há algo na sociedade que leva as pessoas a cometerem crimes.

Quando se diz que reduzir a maioridade penal é uma boa ideia, você não está focando na raiz do problema, está apenas sugerindo uma maneira de remediar.

Dado o nosso sistema, isto só aumenta a chance de criar um delinquente reincidente. Então note, pouco importa se a maioridade penal é de 16, 18 ou 21 anos se o país continua a formar criminosos.

Devemos pensar em maneiras para diminuir a criminalidade, no processo que transforma as pessoas em transgressoras da lei, ou logo teremos mais presídios do que universidades e mais marginais do que cidadãos comuns. ISSO É UM FATO!

(Texto do livro: Penitenciária Central 3- Pág.148 – De Mário Mércio)

27 de Março de 2017 –  mario.mercio@gmail.com
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Regras que nos aprisionam

Mário Mércio

21 de Março de 2017 –  mario.mercio@gmail.com
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    Às vezes nos sentimos aprisionados numa sociedade cheia de regras.

    As regras são impostas para obrigar, combater, ajustar o comportamento geral, mas não precisariam se usássemos o bom senso, a lógica e a educação.

    Ninguém gosta de regras, mas num país pouco civilizado, onde a educação não é patamar de ajuste em nenhum setor, então foram criadas regras básicas, leis e mais leis que só conhecemos por alguma divergência ocasional que passamos.

   Confúcio filósofo chinês, já consagrava os procedimentos corretos para as relações pessoais (regras), isso há 500 anos a.C.. Só ai se vê que a “coisa” não é nova. Vamos adiante….

    Por exemplo, num baile de CTG precisamos ir pilchados, nada de calça jean e sapatênis.

    Se sabemos que nosso cãozinho vai fazer “cocô” na calçada, por que não levar um saquinho para colhe-lo? Daqui uns dias vão fazer essa regra e estipular multa, como em alguns países.

     Por que cuspir na calçada, na parada do trem ou do coletivo? Vão acabar fazendo uma lei para isso. É a falta de comprometimento, de educação—daí as leis e regras aparecem.

    Já vimos que estacionar em vagas específicas dá multa. Porque ouve abusos e há ainda.

    Num clube social não permitem calção ou biquíni branco e não se pode levar lanche e nem copos para a piscina. -Por óbvio.

    Pessoas não podem andar armadas sem o devido porte legal e mesmo assim sutilmente escondidas da curiosidade alheia.

   No filme ou livro: “50 tons de Cinza”, Anastácia pergunta à Grey:–por que tantas regras? E ele responde: –Porque sou perturbado de 50 formas diferentes.E nós?

    Em suma: cumprimente, se despeça, agradeça, compartilhe, limpe, respeite, devolva, responda, pague, etc. São OBRIGAÇÕES ou REGRAS sociais.

   Por isso é necessário conhecer as regras do local que vamos visitar, vamos andar, vamos morar ou passear. No Uruguai, nas cidades, não se deve ligar as luzes dos carros à noite. No Brasil deve-se liga-las até ao dia. São regras diferentes que o legislador fez por alguma necessidade. Talvez lá as ruas sejam mais iluminadas… Quem duvida?

    Na Argentina os carros têm que ter duas estepes…Será que lá tem mais buracos que aqui?

    Vai explicar?

21 de Março de 2017 –  mario.mercio@gmail.com
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Ética e Crime

06 de Março de 2017 – Veja todas as colunas do AP Mário Mércio
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    Estava aqui pensando sobre esta onda de criminalidade no Espírito Santo e alhures.

  Daí lembrei da “Teoria do Crime”, ao qual está retratada nas obras do professor e doutor Renato Posterli.

    Para se ter um crime você precisa de:

1) Meio  2) Oportunidade   3) Motivo

    A ausência de qualquer um dos três fatores inexiste o crime.

    Aí eu questiono:

  No Espírito Santo pessoas, até então vistas como trabalhadoras e sem antecedentes criminais começaram a promover saque a lojas.

    Estas pessoas tiveram meio e oportunidade, então o que faltou?

    Resposta: MOTIVO.

   Surgindo este, elas se jogaram ao crime. Algumas se deram conta da burrice, do crime por impulso e voltaram para devolver o que roubaram, arrependidas.

  Por isto, acredito que “uma” (não apenas a única) das buscas da solução desta problemática da violência está na busca e na prática de exercer a “ética”. Ética esta que deve ser estimulada na educação formal e informal, assim como na convivência mútua de todo nós seres humanos.

   A ética nos faz mais respeitador do outro, e ao mesmo tempo serve como uma das medidas que pode impedir a geração de “motivos” para a violência, que culmina em atos criminosos.

   Que sejamos mais éticos então.

06 de Março de 2017 – Veja todas as colunas do AP Mário Mércio
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