Aulas de criminalidade pela imprensa?

Aulas de criminalidade pela imprensa?

O papel da imprensa e os excessos nas notícias divulgadas.

Sem dúvida e pelas características democráticas em que vivemos há que se respeitar incondicionalmente a liberdade de imprensa, desde que esta não prejudique objetivos de segurança ou interfiram em assuntos policiais que não deveriam ser divulgados.

A análise da abrangência, também, da proteção dos conhecimentos sobre segurança operacional, deveriam ser segredos da polícia e não alarde das notícias.

Há vantagens em divulgações do “modus operandi” dos criminosos e da operacionalidade da segurança? Imagino que não.

Qual a vantagem da imprensa, dos repórteres, divulgarem detalhes dos crimes praticados? Na maioria das vezes o que ocorre nas reportagens sobre a criminalidade, (sequestros, assaltos, roubos ou furtos ou mesmo descobertas de tóxicos e carros furtados ou roubados) é que as técnicas utilizadas pelos marginais e da operação que os deteve, são divulgadas em detalhes, para todos. Verdadeira aula de como prender e como roubar patrocinada pela imprensa livre e democrática.

Quero dizer com isso que os crimes, os atos delituosos, devem sim ser noticiados sem a menor sombra de dúvida. Mas não os DETALHES das operações policiais, o acompanhamento e divulgação dessas operações e seus detalhes pela imprensa, o modo de agir dos criminosos, as técnicas utilizadas para os assaltos, sequestros, bem como como a POLÍCIA chegou até eles..

Também critico quem na maioria das entrevistas sobre crimes, mesmo integrantes de órgãos policiais ao serem entrevistados, muitas vezes pelo despreparo ou no afã de seu promoverem, informam todos os detalhes “ao vivo” e às vezes em “rede nacional”, detalhes esses que deveriam possuir características de sigilo para as investigações e que em nada levam de proveitoso para a população.

Essas ocorrências deveriam ser observadas pelas autoridades que se dizem entendedoras de segurança pública e da operacionalidade policial e todas as questões nela envolvidas.

Seria importante que os próprios organismos policiais divulgassem com maior frequência suas DICAS de Segurança para a população, com informações sobre locais mais perigosos da cidade, cuidados a serem tomados, procedimentos utilizados pelos bandidos e como a sociedade pode se defender disso tudo. Isso seria PRUDENTE E LOUVÁVEL. Mas nunca dizer como chegou ao bandido e nem a imprensa divulgar. Não interessa ao público saber COMO o crime foi descoberto e sim quem são os criminosos.

As informações, modus operacional e falhas dos bandidos serão visto como “Material didático” para o aprendizado ou aperfeiçoamento do crime. Isso é um fato.

Seria implícita a leitura no jornal ao diletante criminal, como uma seção: “Aprenda as últimas novidades e pratique seu delito com mais qualidade. Veja as falhas dos colegas e a ação policial”.

Os jornais e emissoras, por defenderem seus interesses econômicos e pela própria concorrência, usam e abusam do sensacionalismo para chamarem a atenção dos leitores.

Assim, no atual quadro, não observamos ainda nenhuma autoridade se pronunciar sobre o assunto. E em um ano político, pelo menos, seria por demais oportuno que o tema fosse investigado e alardeado e também aperfeiçoado, pois a persistir do jeito que está os “alunos” têm em suas casas farto “material didático” para o aprendizado do crime, como entrevistas, filmes, gravações, escutas, tipos de golpe e de assaltos, modalidade de roubos etc.

Países mais avançados têm uma legislação que permite apenas a divulgação dos fatos, de forma apenas a dar o conhecimento com o objetivo do cidadão se proteger, ou das autoridades melhorarem a segurança.

E assim, como resultado ou consequências: os outros criminosos que assistem às matérias aprendem e podem, com os dados obtidos, corrigir, aperfeiçoar suas técnicas no crime. E isso tudo divulgado no país inteiro de graça. Um verdadeiro Curso Técnico do Crime com aulas diárias.

Esta matéria é destinada ao público em geral, aos políticos (legisladores) e às autoridades das áreas de segurança.

É louvável que a lei assegure a liberdade de imprensa, desde que essa liberdade não provoque prejuízos lamentáveis para a própria população, que é a RAZÃO da própria IMPRENSA.

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