O AMIGO DO HOMEM

O AMIGO DO HOMEM

Numa destas tardes maravilhosas de vento refrescante, em que no céu gaúcho tão anil quanto puro e lindo o sol bruxuleava reluzindo e jogando os seus últimos raios por sobre as várzeas longínquas de São Leopoldo/RS, descia à Rua Independência em meu carro e olhava, distraído, o povo que cruzava as ruas e passeava pelas calçadas largas a olhar vitrines elegantes. Sábado dia de muitas compras, de muita animação, as vitrines se mostravam mais sedutoras, mais atraentes…

Foi aí que notei uma aglomeração. Que seria? A curiosidade é um fato… Dizem que as mulheres são curiosas, e como nós homens descendemos diretamente de uma mulher, temos que puxar, forçosamente, um pouquinho… Que seria?

Qualquer assunto, qualquer motivo, faz o povo amontoar-se e me vi possuído de curiosidade louca de saber o que se passava. Estacionei e fui ver.

Rompi a multidão com um pouco de dificuldade, educadamente e pude ver o belo espetáculo que fascinava a multidão.

Espetáculo sim. Não era jogo e nem marido brigando e nem camelô com bichos e mágicas, nem assalto, graças a Deus,

No chão sentado, um homem maltrapilho vendia flores, cravos, copos de leite, rosas em pequenos buquês, lindos multicores e junto a ele, olhando-o contente, admirado, um cãozinho limpo, felpudo, branco, sustentava uma rosa branca na boca, um das flores que ele vendia. Era um mostruário vivo, encantador, radiante de alegria. Sim era uma banalidade, bem engendrada aquele mostruário.

O senhor maltrapilho depois de vender todas as flores levantou-se e misturou-se na multidão e apesar de tanta gente bem arrumada, com trajes caros, perfumadas, o cãozinho branco agora sem a flor na boca, seguiu incontinenti, a certa distância, como se fosse ordenança de um oficial superior… E não o perdia de vista, zingzagueando entre as pessoas.

O cheiro de seu dono ele reconhecia ao longe. Dos perfumes que rescendiam das pessoas elegantes com os trajes caros e bonitos, o cãozinho branco felpudo distinguia perfeitamente o cheiro de seu dono esfarrapado, com hálito de cachaça, mas aquele que com ele repartia sempre a sua mísera ração e sua pobre moradia, por certo.

Entraram numa rua transversal à rua que estava e perdi de vista os dois amigos inseparáveis que trabalhavam no seu delicado comércio de vender flores. Que coisa linda!

Foi então que me lembrei de uma belíssima canção popular, que não se escuta mais: “Pela estrada da vida subi morros, desci ladeiras e afinal te digo: Se entre os amigos encontrei cachorros, entre cachorros encontrei amigos!” BOA TARDE A TODOS OS AMIGOS.

A CURIOSIDADE DOS VELÓRIOS

A CURIOSIDADE DOS VELÓRIOS.

O escritor Mário A. Teixeira é enfático ao dizer que de nós nada escapa. Situações diversas é rotina em nossas vidas. E é verdade.

Acho que todos são assim, não só os escritores, só que nós acabamos, pela ansiedade, em divulgar, escrevendo, aquilo que vimos e sentimos no cotidiano.

Num velório não é diferente, pois ali se encontram amigos, parentes do morto que há muito não se viam e, lógico, algumas lembranças vem à tona.

Mas não dá para esquecer a presença do morto, ali quieto no seu esquife. A quem, ali presente, deveria render homenagens, recordar seus momentos com ele e demonstrar, resoluto, sua indignação e tristeza com o passamento do mesmo.

Mas não dá, nessas lembranças, ficar rindo às gargalhadas, pois isso destoará do ambiente fúnebre. E caracteriza, pelo menos aos circunstantes, uma falta de respeito, senão com o morto, que nada vê ou ouve, mas á sua sofrida e consternada família ali presente, por lógico.

O modo de vestir também é importante, e não como a moça de amarelo da foto, que choca.

Estes encontros ocasionais servem também para conhecermos parentes que nunca vimos.

O que é um despautério em vivência, pois conhecer nossos parentes é uma obrigação social e familiar, já que nossos avós e pais muito conviveram com eles.

— Pois estamos vivos e precisamos celebrar de forma positiva e isso não inclui velórios —nos diz o escritor..

Então está ai a oportunidade, na ocasião da despedida, deixar endereço e fone para um jantar e estreitar amizade ainda em vida, pois logicamente, voltaremos ali ou acola, numa situação semelhante e, se caso não voltarmos em vida, é porque o velório é nosso mesmo.