UMA PRISÃO DIFERENTE

UMA PRISÃO DIFERENTE
 
Nós estamos acostumados a ver e ouvir tudo sobre prisioneiros. Mas devemos soltar nossa imaginação para procurar outras formas de prisão, que não as tradicionais, com grades.
 
Existe e como existem pessoas presas sem fazer crime algum que passam a viver na PRISÃO DE SEU PRÓPRIO CORPO.
 
Ai passamos a imaginar que uma pessoa tem uma vida salutar, aquilo que sempre quis e sonhou. Uma bela profissão, senão a que sonhava pelo menos aquela que lhe dá o sustento e a dignidade no seio familiar e social. Ela tem tudo em suas mãos, ao seu alcance, mas de repente sofre um AVC e após uma semana em coma, o que lhe sobra dessa vida é a visão.
 
Sim, por que o acidente lhe causou danos irreversíveis, é a síndrome “ locked-in” paralisou seu corpo, da cabeça aos pés, não seu cérebro. Só o que ele pode fazer é piscar os olhos. Não é agonizante pensar nessa situação? Mas isso não é nenhuma ficção, em sua cidade existem muitas pessoas assim, presas de seu próprio corpo.
 
Aí vem mais imaginações…. E se nós tivéssemos de fazer uma reavaliação de nossas vidas e pensássemos que de uma hora para outra tudo que nos restasse fosse apenas nossa memória e nossos olhos piscando para nos comunicar com nossos entes queridos? O que faríamos? Essa seria a pior das peças que nossa vida nos preparou… Colocando-nos numa lenta e insuportável ação do tempo. Eu não saberia responder agora, assim de supino, o que fazer.
 
Pois essa imaginação tem um personagem real. Ele conseguiu escrever um livro, que virou um belo filme, só escolhendo com o piscar dos olhos as letras, e através de seu livro ele se libertou. Nome do livro: “O Escafandro e a Borboleta”.
 
Escafandro, todos sabem, é aquele equipamento de mergulho, hermeticamente fechado, que os mergulhadores vestem… É uma alusão metafórica aos aparelhos nas quais ele vivia no casulo.
 
Borboleta é quando se liberta do casulo. Sua missão derradeira, aos 45 anos de idade, foi mostrar as pessoas, que se somos livres e capazes, temos o dever de viver a vida assim, sem sermos prisioneiros de nada, nem de medos ou de inseguranças.
 
E o mais importante: que a LIBERDADE está na capacidade de transformar sua imaginação numa ARTE.
 
Nome dele: Jean-Dominique Bauby, editor renomado da revista Elle. Faleceu logo após ser publicado seu livro.

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